sexta-feira, 21 de outubro de 2022

A falta

 É possível que o constrangimento do companheiro tenha surgido do gesto impensado de tua parte.

 O gracejo impróprio ou o apontamento inoportuno teria tido o efeito de um golpe.

Decerto, não alimentaste a intenção de ferir, mas a desarmonia partiu de bagatela, agigantando-se em conflito de grandes proporções.


De outras vezes, a mente adoece, conturbada.

 Teremos ofendido, realmente.

 A cólera ter-nos-á cegado o discernimento e brandimos o tacape da injúria.

 Pretendemos aconselhar e cortamos o coração de quem ouve.

 Alegando franqueza, envenenamos a língua.

 No pretexto de consolar, ampliamos chagas abertas.

 E começa para logo a distância e a aversão.


 Se a consciência te acusa, repara a falta enquanto é cedo.

 Chispa de fogo gera incêndio.

 Leve alfinetada prepara a infecção.

 Humildade é caminho.

 Entendimento é remédio.

 Perdão é profilaxia.

 Muitas vezes, loucura e crime, dispersão e calamidade nascem de pequeninos desajustes acalentados.

 Não hesites rogar desculpas, nem vaciles apagar-te, a favor da concórdia, com aparente desvantagem particular, porquanto, na maioria dos casos de incompreensão, em que nos imaginamos sofrer dores e ser vítimas, os verdadeiros culpados somos nós mesmos.


Emmanuel

Sem comentários:

Enviar um comentário