quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ouvir e calar, a melhor terapia!

Ouvir BEM sem depois "corromper" os assuntos. 
Eis como cada um de nós pode paralisar a disseminação do MAL! 

Outrora as fofocas chegavam devagar, lentamente, uma de cada vez. Ter conhecimento de uma situação que se passava com alguém de Lisboa, quem morava em Sintra tinha que esperar que a pessoa fizesse a viagem e lhe fosse lá dizer. 
Agora com a internet, a evolução das tecnologias nos diferentes canais de comunicação, com as redes sociais, passamos a saber TUDO, ao mesmo tempo, coisas sem qualquer importância (como a marca do champoo que usa o Trump, o divórcio de determinada estrela de cinema, o vestido que usa, a cor com que pintou o cabelo..), coisas demasiado importantes do mundo, desgraças, guerras, etc. Tudo junto, com a maior intensidade, diariamente, a cada momento. 
Acontece que, se ouvirmos tudo e repetirmos por todo o lado, vamos dar por nós a aumentar e a distorcer os assuntos (quem conta um conto acrescenta um ponto). Porque ao ouvirmos sucede que cada um de nós pode dar uma interpretação diferente, pode assimilar um entendimento completamente equivocado da situação. Por isso é necessário interiorizar o que ouvimos, verificar a importância que terá para nós, tentar constatar a veracidade, VIGIAR os nossos pensamentos em relação à situação e só depois, de preferência, CALAR A MAIORIA DO QUE OUVIMOS, para não cairmos no erro tremendo, que vai afectar em primeiro lugar a nós mesmos, fazendo-nos perder a calma, provocando-nos doenças, levar-nos no turbilhão da maledicência e em última análise e consequência, contribuirmos para o MAL. 
Na dúvida (o que ouvimos nunca é verdade absoluta), o melhor sempre é SILENCIAR!

Que queres que eu faça?


QUE QUERES QUE EU FAÇA?

Em nenhuma passagem do evangelho Jesus diz para alguém “eu te curei”. Ele sempre disse: “a tua fé te salvou”. A todos que se aproximavam dele, Ele perguntava: “o que queres que eu faça?”.
Quando eu era jovem, uma passagem do evangelho me intrigava; a passagem do cego que chega a Jesus e Jesus pergunta-lhe: “o que queres que eu faça?”; eu achava que essa pergunta era sem sentido. Se eu sou cego, e vou até Jesus para ser curado, não quero curar o meu ouvido, se eu sou cego não quero que curem o meu ouvido, não fazia sentido.
Porque, naquela época, eu era um adolescente inexperiente e eu acreditava que todos os cegos querem ser curados, eu acreditava que todo mundo que pergunta quer resposta. Até que a experiência me ensinou que são pouquíssimos os cegos que querem enxergar e nem todos que perguntam querem a resposta.
Jesus era muito positivo. Todas as vezes que nós buscamos Jesus em pensamento, dizendo:
“Mestre, o senhor está vendo o meu casamento?
Mestre, o senhor está vendo a minha conta bancária? Mestre, está vendo a minha família?
O senhor está vendo a minha situação física?”
Há sempre uma voz silenciosa do governador espiritual do orbe: “O QUE QUERES QUE EU FAÇA?”, “PORQUE ME PROCURAS?”.
Se nós, de facto, desejamos a cura do espírito, é preciso dar uma resposta satisfatória.
O cego Bartimeu respondeu: “SENHOR, QUE EU VEJA!”, “EU QUERO VER!”.
E se todos nós pedíssemos VISÃO? “Pai que eu seja capaz de enxergar os meus pontos fracos, os meus pontos fortes!”; “Meu Deus, que eu seja capaz de enxergar aquilo que vai destruir a minha vida e aquilo que vai construir!”; “Deus, que eu seja capaz de enxergar o papel de cada pessoa na minha vida, inclusive daquelas que eu não gosto!
O que mudaria? Mudaria tudo!
Porque a compreensão muda tudo! Quando nós olhamos para a vida com aceitação e compreensão, toda a vida se muda sem que nada se altere, tudo continua a mesma coisa, mas a vida muda, porque mudou a forma de ver e é esse o maior milagre que o Evangelho pode fazer ao coração de uma alma. Ele faz com que ela VEJA! Faz com que ela VEJA! E ela passa, então, a amar as situações difíceis.
Certa vez, Francisco Cândido Xavier foi procurado por um grande empresário de São Paulo, um homem muito rico. Ele parou o carro na entrada do “Grupo Espírita da Prece”. As atividades tinham encerrado, estava quase amanhecendo. Ele procurou Chico Xavier. “Senhor Chico Xavier, eu preciso de uma mensagem do meu filho, meu filho morreu”. Chico diz-lhe: “meu irmão, o telefone só toca de lá pra cá, não sou eu quem tem o controle sobre quem se manifesta, eu apenas atendo as chamadas”. O homem meteu a mão no bolso do casaco, tirou um livro de cheques e disse: “Chico, você não está entendendo o que estou dizendo”. Abrindo o livro de cheques e uma caneta e diz assim: “Quanto custa uma mensagem do meu filho?”. Nesse momento, Chico, que tinha um metro e sessenta, ficou com dois metros de altura, porque quem assumiu o comando da situação foi Emanuel, seu benfeitor. O benfeitor Emanuel disse-lhe: “Meu irmão, você está equivocado, o seu primeiro filho morreu porque você viciou-o dando-lhe todas as facilidades, nunca ensinou ao seu primeiro filho a disciplina, nunca lhe ensinou o amor ao trabalho, você nunca educou seu filho para administrar os seus bens e ele se suicidou numa motocicleta. Então você não contente, viciou seu segundo filho e agora está movendo um processo contra esse motorista de caminhão sabendo que a culpa do acidente foi do seu filho que estava alcoolizado, por excesso de dinheiro e excesso de facilidades que você colocou nas mãos dele e não foi capaz de educar e agora você chega aqui achando que o seu dinheiro pode comprar tudo, querendo novamente viciar os corações com o seu dinheiro, mas isso não será possível aqui.” O homem colocou o livro de cheques no bolso do casaco, entrou no seu carro importado e foi embora.
Vamos pensar nisso.
Um pai que tinha todos os recursos para educar os seus dois filhos e por conta do mau uso dos recursos, falhou na sua missão de pai e foi o responsável pela morte dos dois filhos. Se ele tivesse pedido ao Mestre: “Senhor que eu veja! eu veja!
O que teria feito ele?
Teria educado!
Teria afeiçoado o coração dos filhos ao trabalho!
Teria ensinado aos filhos o valor da disciplina!
Teria ensinado ao filho o valor de cada centavo ganho! Teria ensinado aos filhos a responsabilidade de administrar um patrimônio vultoso e quem sabe esses filhos estariam entre nós, transformando aquela riqueza e prosperidade para a comunidade onde eles estivessem vivendo.
Quem sabe não nos falta compreensão!?
Compreensão de que nós temos todos os recursos, todos, indispensáveis para cumprir os nossos propósitos nesta atual encarnação.
Os espíritos não se cansam de dizer, “o que nós precisamos será concedido!” Eles não disseram “o que nós desejamos e na oração do Pai Nosso, Jesus diz, “Qual o filho, que pedindo ao pai um pão, ele dará uma serpente? o Pai sabe o que é pão, e o que é serpente, mas infelizmente nós nem sempre sabemos. Muitas vezes, o que nós mais desejamos, é o que mais nos vai prejudicar e toda a porta que nós arrombamos, é exatamente a porta de onde vem a maior dose de infelicidade para a nossa vida.
Por isso dizia Abigail ao jovem combativo Paulo de Tarso, “Ama! Ama!” porque quem ama enxerga, no mínimo, mil anos adiante! quem ama, sempre enxerga mais longe porque quem ama é capaz de ver sementes, quem ama muito, é capaz de ver os frutos dentro da semente. Como diz o provérbio chinês: “Qualquer um pode abrir uma laranja e contará sementes mas, qual de nós pode olhar uma semente e dizer quantas laranjas tem dentro dela?”. Nós não sabemos!
A pessoa que erra hoje, ao nosso lado, pode, de um momento para o outro, virar toda a sua vida e deixar-nos para trás, dar um salto na sua evolução.
Quem ama vê! E diz Abigail:
Espera! Espera!” Deus é sempre o último a falar! Deus é sempre o último a manifestar-se, porque quando ele se manifesta está resolvido! É preciso esperar! Porque o Criador nunca colhe frutos verdes! Há sempre um momento exato de agir! Espera! Quem aprendeu a virtude da paciência, sabe guardar o coração em paz.
O 3º conselho de Abigail:
Trabalha!
Eu lembro-me que era muito jovem e conheci um grande espírito em Minas Gerais, o senhor Leão, ele era um médium de cura extraordinário, a pessoa chegava com um corte, ele começava a dar um passe, a cicatriz fechava. Um dia ele parou de atender. Alguém perguntou, “senhor Leão porque o senhor parou de dar os passes?” Ele respondeu: “agora já tem dermatologista, não precisa de mim” e um dia eu fui consultá-lo sobre um problema, ele olhou nos meus olhos e disse: “Meu filho, não existe nada difícil na vida, não existe nada difícil, só existe coisa trabalhosa” e ele morria de rir e dava aquela risada! Um viúvo, que cuidava de uma filha com paralisia cerebral, chegava em casa dele, a menina estava deitada na cama e ele cuidando da filha, ele atendia a filha com paralisia e ia receber as pessoas para atender. Nesse dia, eu tive que esperar ele dar banho nela, trocar de roupa, dar comida. Depois que ele atendeu a filha com paralisia cerebral, ele me foi atender, “pois não meu filho…” e eu contei o problema. “Não tem nada difícil nessa vida tem coisa trabalhosa”. Trabalha! Porque o trabalho é o esforço inteligente, esforço inteligente. Não basta fazer esforço! Eu aprendi um ditado:
A pior coisa que tem, é um burro entusiasmado, porque ele está entusiasmado mas ele continua burro”.
Então não adianta fazer esforço às cegas, o esforço tem que ser preciso, inteligente.
Emanuel diz: “O tempo não respeita as obras que foram construídas sem o seu concurso, o tempo não respeita. O tempo só respeita aquilo que foi feito com a ajuda dele.“
Tudo o que vale a pena é trabalhoso e leva tempo.
Então o conselho era:
“Ama! Trabalha! Espera! Perdoa!” Aqui nós temos que aprender uma lição com Jesus, se você não quer perdoar, se você não quer perdoar de jeito nenhum, siga o exemplo de Robinson Crusoé, vá para uma ilha deserta!
Relacionar-se tem um preço, é impossível relacionar-se com qualquer pessoa nesse mundo de meu Deus, sem precisar, uma hora ou outra, perdoar.
Só que essa moeda tem dois lados, toda vez que nós falamos em perdão, nós pensamos em alguém nos ofendendo e a gente perdoa. Nós nunca pensamos eu ofendendo e sendo perdoado.
Será que você nunca foi perdoado?
Você nunca foi perdoado?
Você nunca disse algo na hora errada, de forma errada? Você nunca cometeu um erro?
Você nunca ofendeu ninguém?
Nunca precisou do perdão de ninguém?
Se você está dizendo que nunca precisou ser perdoado passa a ser um caso para uma inspeção: vamos conversar com sua esposa, o marido, com sua sogra, com seus familiares, com as pessoas que trabalham com você. Ninguém vive sem perdão, ninguém!
Se você tem um filho, é impossível estabelecer um relacionamento com o filho sem perdão!
É impossível ter um relacionamento afetivo sem perdão!
É impossível trabalhar numa casa espírita sem perdão!
E a MÁGOA? A mágoa é o sentimento mais destruidor que o coração pode carregar!
A mágoa, às vezes, é tão destruidora que ela gera inclusive o câncer porque a mágoa é um sentimento tão profundo que ela altera o processo de multiplicação das células. As células não conseguem fazer o seu trabalho diante daquele sentimento.
Isto não é brincadeira!
Francisco Cândido Xavier - eu não vou poder dar o nome aos bois mas eu vou contar a história - tinha uma pessoa muito ligada a ele, eu sei quem é a pessoa, eu conhecia a pessoa, ela já desencarnou, o Chico também. Era uma pessoa muito próxima. O Chico tinha um cachorro de estimação, esse cachorro ficou doente e o chico chegava de madrugada das atividades espirituais e ia cuidar do cachorro mas o cachorro uivava, incomodava, o Chico tinha que acender a luz e cuidar do cachorro. Então aquela pessoa disse, eu vou ajudar, vamos resolver esse problema.
E geralmente a gente é como o elefante entrando num jardim. Tem um jardim bonito, nós somos o elefante e dizemos, eu vou colher essa rosa. Você colhe a rosa e destrói o jardim. Então ela pensou, eu vou resolver esse problema, eu vou matar o cachorro, ajudo o Chico, resolvo o problema. Vou matar o bicho. Deu um veneno ao cachorro e ele morreu.
Quando o Chico viu o cachorro disse, “Que foi isso?”, “Para te ajudar, eu matei-o, ele já não está doente, está morto agora.
O Chico não falou nada, mas naquele momento ficou profundamente magoado com a pessoa. Passou um mês, passaram dois meses, passaram três meses.
Certo dia depois da atividade mediúnica, Emanuel aparece diante do Chico e diz-lhe, “Chico, aquela mágoa de três meses atrás se transformou numa grande sombra em torno do seu coração.” Porque em torno do coração? Porque era a parte frágil do Chico, ele teve angina, teve vários problemas do coração. Nós temos partes frágeis do nosso perispírito, partes frágeis. Qualquer coisa que você faz atinge aquela área. A minha por exemplo é o estômago. Eu tenho que ficar atento, qualquer questão emocional que tenha afeta o meu estômago. Cada um tem sua parte frágil, a dele era o coração.
Emanuel diz, “Formou-se uma sombra no seu coração e essa sombra vai se materializar em doença mas nós temos um problema sério, nós não estamos conseguindo mais nos aproximar de você, fazer o trabalho mediúnico, porque essa sombra está impedindo você sintonizar com a gente.” Aí o Chico se assustou, “Meu Deus, que é que eu faço, Emanuel? Você vai descobrir o que é que essa pessoa mais gostaria de ganhar e vai comprar para ela.” ”Emanuel, mas aí já é demais, é a pessoa que me ofende e eu ainda tenho que dar presente?” O Emanuel virou para ele e respondeu, “A receita não é minha, é de Jesus!”. “Então nesse caso, vou seguir”.
Foi lá, descobriu o que a pessoa queria ganhar, qual era o sonho da pessoa. Era uma máquina de costura. O Chico fez as contas, o salário dele, o valor da máquina, é simples, se dividisse a máquina, seriam duas encarnações pagando. Sabe aqueles consórcios de 160 meses?
Ele comprou a máquina! Deve ter pago até ao último dia da encarnação dele.
Quando ele entregou a máquina para a pessoa, diz ele, que um clarão de luz saiu do peito dessa pessoa, atingiu o peito dele e toda a sombra foi removida.
A força do perdão, a força da gratidão.
Nesse momento, o Emanuel apareceu e disse para ele, “Agora sim Chico, você experimentou o poder do perdão”, não foi por outra razão que a última missão de Jesus na cruz, FOI O PERDÃO! Eu gostaria agora no término deste nosso encontro, que você voltasse para dentro de você mesmo, voltasse para sua casa, e fizesse uma meditação esta noite, uma meditação.
Pensa no seu pai e na sua mãe, perdoa tudo o que eles fizeram que você não tenha gostado; pensa nos seus antepassados, se teve alguém que trouxe um prejuízo para você, se a sua vida teve alguma dificuldade por causa do seu pai e da sua mãe etc. etc., diga assim, “ESTÁ PERDOADO”, “eu te perdoo”, mas olha também para as pessoas da sua casa, para sua esposa, o marido, os filhos, para a sogra e todas as pessoas do seu relacionamento. Vibra esse sentimento de perdão para todas elas!
Não faz isso por elas, faz isso por você.
Tira esse peso do coração, tira essa sombra, cura você mesmo, deixa o Sol do evangelho entrar e fala assim, “Está perdoado, está perdoado”, porque não importa o que essa pessoa te fez, você está aqui, você está bem.
Esquece isso!
Há duas formas de alguém resgatar um débito, A LEI DIVINA ACTUANDO ou A VÍTIMA QUE FOI OFENDIDA VINGANDO.
Que você quer?
Você quer ser a vítima que vinga? Para se vingar, você vai-se algemar a quem te ofendeu, é da lei, é um direito que você tem, se você se quiser vingar, se você quiser cobrar, se você quiser fazer justiça com as próprias mãos, Deus vai deixar, mas tem uma condição, você vai ter que viver ao lado do agressor até ao final.
Mas se você perdoar, você está livre. O ofensor não! Ele vai ter que acertar as contas com a lei divina. Você está livre!
Quem perdoa se liberta!
Então se você esqueceu tudo, tudo, tudo o que se ouviu nesta noite, você esqueceu quem é Jesus, a luz da doutrina espírita, quais são as causas da doença espiritual. Se você esqueceu tudo, tudo, tudo, eu queria que você voltasse para casa lembrando apenas o seguinte: Se o evangelho conseguir, até o último dia da sua encarnação, trazer para dentro do seu coração, a luz do perdão, a luz da gratidão e a luz da fé, então valeu, valeu essa vinda aqui, valeu ter lido o evangelho, valeu ter encarnado. O saldo é positivo! Então eu desejo a cada coração aqui presente, inclusive para o meu, a luz da fé e da confiança, vamos entregar a Deus aquilo que lhe pertence, deixa ele fazer a parte dele mas vamos cumprir a nossa FÉ, vamos aprender a memorizar as dádivas, memorizar as dádivas e esquecer o que não é bom e vamos dizer para todas as pessoas que cruzaram ou que estão cruzando o nosso destino: “EU TE PERDOO! ESTÁ PERDOADO”, que o sol da imortalidade possa aquecer o coração de todos nós e que o médico das almas visite a tua casa hoje, é o meu desejo.

Publicado a 11/04/2015
Trechos da Palestra de Haroldo Dutra Dias em Santo Ângelo - RS (JUL / 2013)